Eleição de Milei na Argentina, nova ascensão de Donald Trump nos Estados Unidos e posse de 80% das vagas nos conselhos tutelares do Brasil por candidatos conservadores resgatam e fortalecem os princípios morais e éticos praticados pela comunidade evangélica
No cenário político global movimentos conservadores ganham destaque, moldando a trajetória de nações e influenciando as dinâmicas democráticas. Recentemente, a Argentina e os Estados Unidos testemunharam eventos que impactaram significativamente o curso de suas respectivas políticas. Na Argentina, a vitória de Javier Gerardo Milei à presidência marcou um movimento de realinhamento político. Para os adeptos da linha conservadora, a eleição representa uma esperança de mudança em direção a valores e princípios alinhados com preceitos tradicionais e, muitas vezes, cristãos. Milei, conhecido por sua postura firme em questões econômicas e sociais, promete uma abordagem reformista que ressoou entre eleitores preocupados com o rumo do país. Nos Estados Unidos, o retorno de Donald Trump ao centro das atenções políticas fortalece os alicerces conservadores.
O ex-presidente, figura emblemática para muitos cristãos, continua a exercer influência significativa, apontando para a continuidade de uma abordagem política que destaca valores conservadores e perspectivas alinhadas com princípios evangélicos. Enquanto isso, no Brasil, as eleições para os conselhos tutelares revelaram um cenário promissor para os candidatos conservadores. Com 80% das vagas conquistadas por representantes desse espectro político, observa-se um fortalecimento da participação desses líderes nas esferas de decisão local, contribuindo para a promoção de valores tradicionais e éticos no ambiente público.
Vale ressaltar que as eleições para conselheiro tutelar ocorrem a cada quatro anos e é facultativa. Pela primeira vez a votação foi realizada por meio da urna eletrônica. Em São José dos Campos houve uma participação ativa da comunidade. O último pleito registrou um total de 28.770 eleitores, dos quais 28.610 votos foram considerados válidos, demonstrando o interesse e a preocupação da população com as questões relacionadas aos direitos da criança e do adolescente. Uma polêmica foi registrada após a votação com a impugnação de uma candidata com perfil conservador (veja abaixo).
No domingo (26 de novembro), uma “Manifestação pela Democracia” na Avenida Paulista, em São Paulo, mobilizou milhares de brasileiros, contando com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. O protesto foi desencadeado pela morte de Cleriston Pereira da Cunha, um dos réus dos atos ocorridos em 8 de janeiro, em Brasília. O falecimento do acusado gerou comoção entre apoiadores de Bolsonaro, que se reuniram para expressar sua posição em defesa do Estado Democrático de Direito e dos Direitos Humanos. Com faixas, bandeiras verde e amarelas, e críticas ao governo do presidente Lula, ao Supremo Tribunal Federal e ao ministro Alexandre de Moraes, os manifestantes destacaram a importância da democracia e prestaram homenagens a Cleriston Pereira. Políticos como o senador Magno Malta, os deputados federais Ricardo Salles, Nikolas Ferreira e Carla Zambelli marcaram presença, enfatizando a relevância do ato em memória do falecido.
O protesto teve também gritos de “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão” e “Alexandre de Moraes, o Brasil não tem medo de você”, entoados pelos manifestantes presentes. O protesto ocupou cerca de dois quarteirões da avenida Paulista e os organizadores não divulgaram estimativa de público. A manifestação evidencia as tensões políticas presentes atualmente na sociedade brasileira e destaca a continuidade do debate sobre os acontecimentos de janeiro, que resultaram na prisão de 108 pessoas acusadas de participação nos chamados “atos antidemocráticos”. A complexidade do cenário político brasileiro é reflexo das divergentes perspectivas que moldam o panorama nacional, alimentando o debate sobre os rumos do país.
Polêmica em São José:
Rosana Rabelo tem
candidatura ao Conselho Tutelar impugnada
O CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente) de São José dos Campos impugnou a candidatura da advogada Rosana Rabelo Montanini, eleita com expressivos 7.004 votos. A impugnação ocorreu após denúncias de abuso de poder político e religioso durante a campanha de Rosana. A primeira acusação recai sobre uma postagem do médico e deputado estadual Dr. Elton (União), ex-vereador de São José e atual deputado estadual, que publicamente defendeu o voto na advogada para o Conselho Tutelar, infringindo regras do órgão. Rosana afirmou ter notificado extrajudicialmente o deputado, solicitando a retirada do post, alegando que o pedido foi atendido em menos de 24 horas.
A segunda denúncia envolve um vídeo apócrifo, segundo Rosana, no qual um suposto pastor pede votos para sua candidatura. A advogada nega qualquer envolvimento com o episódio, ressaltando que na sua igreja, os cultos são gravados, e os pastores foram instruídos a não abordar o tema do Conselho Tutelar. Rosana destaca a ausência de identificação do suposto pastor. A impugnação da candidatura de Rosana Rabelo suscitou uma série de questionamentos sobre a legalidade do processo.
O CMDCA emitiu uma nota explicativa sobre as impugnações, destacando que, após receber denúncias de irregularidades na campanha, instaurou um procedimento administrativo para averiguação. A decisão, não unânime, foi tomada pela maioria dos conselheiros de direito e submetida ao Ministério Público, que a ratificou.