Fazer o essencial e estar consciente é a chave para não ser atropelado pelas circunstâncias e estar pronto para lidar com os desafios diários
Apesar do acesso às estratégias para melhor qualidade de vida, confesso que no início do ano com a popular lista de metas em mãos, percebo que a maioria das soluções para uma vida mais saudável, sempre aponta para o retorno ao simples, ao essencial.
Esse período da nossa contagem de tempo que marca novos 12 meses favorece um balanço para melhorar o que está ruim, o que nos traz sofrimento e algum desgosto. Será que isso é eficaz?
Do ponto de vista da psicologia sim, a pausa para avaliar nossa trajetória em todos os sentidos da vida e a conscientização do que estamos fazendo do nosso fragmento de tempo na existência, nos possibilita mudar e seguir em outra direção.
Em minha escuta clínica, além de outras demandas, tenho a oportunidade de ouvir pessoas em terminalidade de vida, esse capítulo que, no livro do existir, faz parte dessa trajetória que estamos traçando por aqui.
O sofrimento, sempre de mãos dadas a algo que nos falta, nos dá sabedoria, nos fazendo perceber o que realmente importa e nas narrativas dos meus pacientes eu percebo o quanto o “simples” é essencial. Então, porque não aproveitar melhor esse “simples” que nos traz sentido e prazer de viver? Minha proposta é incluir na lista algumas metas que comprovadamente nos favorecem em saúde mental e que deixamos passar na correria do dia a dia. Vamos lá?
Esteja presente: faça um esforço para prestar atenção ao exato momento em que você está, direcione seu pensamento para perceber onde, com quem e o que você está fazendo percebendo tudo que se apresenta até que outro momento comece. Estar presente vai favorecer a diminuição de sintomas ansiosos e depressivos que nos sequestram do tempo que temos.
Use os seus sentidos: abrace, sinta as texturas dos tecidos, dos objetos, da natureza, do seu próprio corpo, fique descalço, sinta o chão, a terra molhada, a areia da praia, a grama.
Se atente aos cheiros: favoreça estar e ser um ambiente limpo de perfume agradável, sinta o cheiro da comida, das roupas, das pessoas, das flores, do sabonete.
Aprimore seu paladar: tente identificar os sabores, os temperos, a doce, o salgado, o azedo, não somente da comida, também das palavras antes de falar.
Ouça os sons: os barulhos do ambiente, invista em colocar a música que você goste ou desfrute do silêncio que aprecia, mas aguce a sua audição, o que ouvimos também nos alimenta, filtre as notícias de todas as fontes, não precisa se alienar, mas selecione mais e insista em ouvir o que te traga esperança.
Pare propositalmente: seja radical em fazer pausas possíveis para exercitar seus sentidos, comece com 10 minutos, respire, beba água, durma, apague as luzes, desligue se por alguns instantes.
Enfim, faça do essencial o mais importante, o inegociável e esteja consciente para não ser atropelado pelas circunstâncias, mas pronto para lidar com elas a medida que se apresentam a você.
Eu sei que não é uma tarefa fácil, é tão simples que se torna difícil, mas valerá o esforço da intenção e insistência. Pesquisas recentes na área da neurociência, apontam para esse caminho, estudos da psicologia positiva, dentro da grande área da psicologia geral, incentivam um olhar que vai além de focar somente nos transtornos, mas, orientam alimentar o que é bom para amenizar os dissabores. A vida requer equilíbrio para ser saudável, esse ano, para lidar com o complicado, comece com o retorno ao simples.
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Patricia Castro