Após ser atacado por Silas Malafaia, candidato a prefeito de SP gera nova polêmica ao afirmar que tem apoio do Ministério liderado pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa
A recente visita do ex-coach e candidato à prefeitura de São Paulo, Pablo Marçal (PRTB), à sede da Assembleia de Deus – Ministério Belém (uma das maiores denominações do país), causou uma onda de controvérsias e divisão entre os evangélicos. Em um contexto onde a política e a fé frequentemente se entrelaçam, a tentativa de Marçal de afirmar o apoio da igreja levanta questões profundas sobre a influência religiosa nas eleições e o papel das lideranças evangélicas em um cenário político cada vez mais polarizado.
Na terça (24) Marçal publicou em suas redes sociais fotos e vídeos ao lado do pastor José Wellington Costa, presidente de honra da Assembleia de Deus Belém, afirmando ter recebido o apoio do líder e de toda a congregação. “Hoje recebi o apoio do pastor presidente José Wellington Bezerra da Costa e de toda a igreja Assembleia de Deus – Ministério Belém”, escreveu Marçal em seu Instagram, cercado de imagens que buscavam solidificar sua posição entre os eleitores cristãos.
Mas, esta declaração encontrou resistência imediata. O vice-presidente da Assembleia de Deus – Ministério Belém, pastor José Wellington Júnior, desmentiu Marçal, afirmando categoricamente que a igreja não declarou apoio ao candidato. “Nós apenas recebemos ele educadamente”, declarou Júnior na manhã (25) seguinte à visita, reforçando que a posição oficial da igreja permanece neutra.
Vereadora em São Paulo, Rute Costa (PL), que é filha de José Wellington Costa, também não poupou esforços para refutar as alegações de Marçal, chamando-as de “fake news”. “Meu pai nunca falou que estava apoiando ele. Marçal recebeu uma oração, mas isso não implica em apoio político”, afirmou Rute. Ela destacou que Marçal chegou ao templo já no fim do culto e solicitou uma oração, um gesto comum na cultura evangélica, mas que não deve ser confundido com apoio político.
A vereadora ainda ressaltou que a Assembleia de Deus Belém está oficialmente apoiando o atual prefeito, Ricardo Nunes (MDB). “É triste, mas é mais uma notícia falsa para atrapalhar os eleitores. A verdade sempre aparece”, enfatizou Rute, alertando sobre a importância da clareza na comunicação, especialmente em tempos de eleições. A polêmica não ocorre em um vácuo. Nos últimos anos, a relação entre a política e a igreja tem se intensificado, especialmente com a ascensão de líderes evangélicos em diversas esferas.
A presença de Marçal, um ex-coach com um estilo de liderança controverso, tem dividido opiniões dentro do próprio segmento evangélico. Enquanto alguns o veem como uma figura renovadora, outros questionam sua adequação e compromisso com os valores cristãos. Pastores influentes, como Silas Malafaia (vej edição anterior), têm utilizado suas plataformas para “desconstruir” a imagem de Marçal, buscando reafirmar que ele não representa os interesses do segmento evangélico. Malafaia e outros líderes religiosos têm enfatizado a importância de apoiar candidatos que verdadeiramente compartilhem os valores da fé cristã.
Força do ministério
Uma das maiores denominações evangélicas do Brasil, a Assembleia de Deus Ministério do Belém tem 500 mil membros na capital e Grande São Paulo espalhados em 2 mil igrejas. A luta por apoio entre os candidatos evangélicos não é novidade. A Assembleia de Deus – Ministério Belém possui uma base significativa de fiéis, e seu apoio pode ser crucial para qualquer candidato que busque sucesso nas urnas. O contexto atual, onde o prefeito Ricardo Nunes tem se aproximado de líderes evangélicos, e a igreja já o recebeu em diversas ocasiões, ressalta a estratégia de Nunes em garantir um espaço no coração dos eleitores cristãos.
Com a eleição se aproximando, a polarização entre candidatos e a forma como cada um se relaciona com a comunidade evangélica torna-se ainda mais evidente. A divisão gerada pela tentativa de Marçal de se posicionar como o candidato evangélico do momento é um reflexo das tensões internas dentro do próprio segmento.
Cenário de Incertezas
A controvérsia em torno de Pablo Marçal e seu suposto apoio da Assembleia de Deus Belém não apenas evidencia a divisão dentro do segmento evangélico, mas também coloca em discussão a relação entre fé e política em um Brasil cada vez mais polarizado. A posição de líderes como José Wellington Costa e Rute Costa poderá definir não apenas o futuro da candidatura de Marçal, mas também o papel da igreja na política nacional.
Diante desse cenário, a necessidade de discernimento por parte dos eleitores evangélicos se torna ainda mais premente. A escolha de um candidato não deve se basear apenas em retóricas chamativas ou apelos emocionais, mas deve refletir os valores e princípios que permeiam a fé cristã. Assim, enquanto a divisão no segmento evangélico persiste, a oração e a busca por sabedoria se tornam essenciais para todos os que desejam navegar neste mar de incertezas.