Pastor Franklin Ferreira lança obra ‘Por amor de Sião: Israel, Igreja e a Fidelidade de Deus’

Excelente opção de literatura cristã para compreender a história da Terra Prometida e do seu aguerrido povo; livro foi lançado – no domingo (10) – em auditório no Shopping Colinas, antes do culto da Igreja da Trindade

As histórias de Israel e do seu povo sempre fascinaram a humanidade, independente de religião ou crença. Invasões, guerras e Holocausto são apenas alguns dos obstáculos superados pelos judeus, que ainda hoje sofrem com ataques terroristas que contrastam com a incansável busca pela paz mantida pelos adeptos da religião judaica. Atualmente uma potência global no que se refere à tecnologia, educação e economia, e com apenas 9 milhões de habitantes, Israel é um exemplo para o Ocidente – principalmente em tempos de intolerância e de crescimento do antissemitismo.

“Apaixonado” por história e admirador incondicional da incrível força de superação mantida ao longo dos séculos pelos habitantes da Terra Prometida, o pastor e escritor Franklin Ferreira lançou no último domingo (10) a obra ‘Por amor de Sião: Israel, Igreja e a Fidelidade de Deus’, pela editora Vida Nova. “O livro oferece à igreja evangélica uma visão diferente sobre Israel e os judeus. Eles (os judeus) são os guardiões do livro, são nossos irmãos mais velhos. A igreja que conhecemos nasceu em ambiente judaico. Jesus era judeu”, afirmou o escritor durante palestra de lançamento da obra – evento que foi realizado em auditório no Shopping Colinas, antes do culto da Igreja da Trindade.

Na obra, o autor se utiliza de imagens para ilustrar a tensão entre Israel e a Igreja. Ele exemplifica sua narrativa fazendo uma analogia entre duas árvores. “Se imaginarmos que uma árvore representa Israel, e a outra simboliza a Igreja, os resultados serão diferentes caso elas cresçam de forma distintas. Para aqueles que assim creem, a igreja é um hiato no plano divino. E há, em nível mais radical, alguns que dizem que não se deve evangelizar os judeus. Para outros, a árvore de Israel se tornou infrutífera. Assim foi arrancada e Deus plantou uma nova árvore. E essa nova árvore seríamos nós, o novo Israel. Mas, biblicamente, só há uma árvore plantada, que Deus faz crescer no jardim divino”, destacou Franklin.

Temas atuais também são enfatizadas na obra. Um assunto debatido pelo escritor diz respeito ao aumento considerável do antissemitismo. “Isto é assustador e ocorre, inclusive, no Brasil. Houve agressão recente a judeus na Alemanha. Alguma coisa está acontecendo”, avalia. Pensamentos como “somos o que somos porque Deus nos escolheu” e “participamos do Israel espiritual que Deus expandiu” cativam o leitor que vai página a página sendo convencido de que há uma única aliança incondicional, formada com Israel e os judeus, e na qual os gentios são misericordiosamente incluídos. “Deus é o juiz de Israel. Ele não o abandona na derrota. A volta do povo para sua terra é o cumprimento de promessas bíblicas”, relatou.

Tragédia recente que mudou a história da humanidade o Holocausto é outro assunto explanado por Franklin. Em meio ao extermínio de 6 milhões de judeus, indagações como “onde estava Deus no genocídio?”, “a culpa é de Deus?” ou “como se deu a presença de Deus no holocausto” são trabalhadas pelo autor. A palestra foi finalizada com mais um dado surpreendente apresentado por Franklin. “Os judeus messiânicos, que fugiram quando perceberam que Israel seria atacado, vêm crescendo. Há 20 anos eram 5 mil. Hoje, estão em 20 mil”, conta.

Enfim, pode-se afirmar que “Por amor de Sião” é um manifesto do autor pela reconsideração que os cristãos do século 21 devem fazer sobre o povo judeu. É também um convite para que os cristãos examinem as bases de sua fé e interajam com outras perspectivas teológicas com o objetivo de encontrar formas legítimas de levar o evangelho do único Messias aos judeus que ainda não o encontraram. “Precisamos apoiar e ajudar os judeus na construção de um mundo melhor”, finalizou Franklin.

Obra dividida em seis partes principais

A primeira parte aborda a longa sombra do antissemitismo na cristandade. Dividida em 5 partes, as páginas explicam como foi impulsionado o antissemitismo em diversos locais. A segunda parte do livro fala sobre a tradição reformada. Segmentado em 6 partes, o conteúdo demandou um trabalho intenso de pesquisa para entender como era enxergada a relação de Deus com Israel na nova aliança. Na sequência, a parte 3 disserta como que a tradição luterana, apesar do histórico de antissemitismo de Lutero, analisa o retorno do povo.

A parte quatro enfatiza que a teologia católica romana também tem algo a dizer dos judeus. O Papa João Paulo II teve posicionamentos muito favoráveis a Israel. A eleição soberana e graciosa, as alianças da graça, a esperança do retorno à terra por causa das promessas feitas por Deus e a conceituação do shabat como um tempo separado para Deus compõem a quinta parte do livro.

A sexta e última parte do livro trata principalmente das relações históricas e conturbadas com os árabes e promove reflexões sobre o Holocausto e a cooperação entre judeus e cristãos.

Palavras do autor, Franklin Ferreira

Após a palestra de lançamento da obra, e antes do culto da Igreja da Trindade, Franklin conversou com o Informe Vale. Confira os principais trechos

Sobre o livro

“O livro é uma apresentação de que a igreja protestante a partir do final do século XVII creu em dois pontos principais: a volta do povo de Israel para a terra, que são passagens que podem ser interpretadas literalmente, e então a igreja protestante, sobretudo reformada, tinha a crença de que os judeus iriam voltar para a terra cerca de 100 a 250 anos de acontecer o fato. O segundo ponto é que se deve ter a expectativa de que, a partir do que aprendemos, por exemplo, na carta do apóstolo Paulo aos Romanos, no capítulo 11, ainda há expectativa de que o povo judeu que voltou para sua terra se converta a Jesus como único Messias, o único Salvador”.

Atração pelos judeus

“Sempre tive atração pela história de Israel, mas confesso que eu não sabia muito bem como encaixar na minha fé o amor por Israel. Então, nos últimos dois anos eu li bastante, estudei como os protestantes leram as profecias do Antigo Testamento, e também do Novo Testamento, a fidelidade de Deus à sua aliança quanto à Israel. Agora, espero que eu consiga encaixar o meu amor pelos judeus e pela história bonita de Israel com o que a Bíblia ensina. Muitos evangélicos pensam em Israel e Igreja como duas árvores que Deus plantou. Vou argumentar [no livro] que há uma única árvore, que foi plantada por Deus e nós gentios estamos sendo misericordiosamente enxertados nesta única árvore, que é a árvore de Israel”.

Ódio do mundo aos judeus

“Uma questão que também me atraiu é o crescimento do antissemitismo na última década. É assustador, como mesmo dentro do campo protestante, que nas últimas décadas têm sido amigo dos judeus, o antissemitismo tem avançado. Talvez por um aumento da secularização, e a chegada do Ocidente dos muçulmanos, é um conjunto de razões, não parece haver uma causa única. Na Suécia havia comunidades judaicas que abandonaram o país. Nos Estados Unidos também têm crescido o antissemitismo, com ataques a sinagogas. Mas o que começa com judeus vai acabar com os cristãos. Então se os judeus já estão sendo perseguidos fatalmente este ódio vai chegar aos cristãos. Se a gente não falar agora pelos judeus, mais adiante ninguém falará pela gente”.

Sobre o autor

Franklin Ferreira é pastor da Igreja da Trindade, diretor-geral do Seminário Martin Bucer (São José dos Campos/SP) e presidente do Conselho da Coalizão pelo Evangelho. É bacharel em teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (São Paulo/SP), mestre em teologia (ThM) pelo Seminário Batista do Sul (Rio de Janeiro/RJ) e Doutor em Divindade (DD), pelo Reformed Puritan Theological Seminary.

Como comprar

A obra ‘Por amor de Sião: Israel, Igreja e a Fidelidade de Deus’, está disponível em www.vidanova.com.br.