Marcha da maconha é realizada por centenas de pessoas em meio a debates sobre o combate às drogas

Manifestantes pedem descriminalização da cannabis em passeata na maior cidade do Vale do Paraíba

O dia 21 de setembro de 2024 foi marcado pela primeira marcha da maconha do ano em São José dos Campos. Com o tema “cidade inteligente acolhe sua gente”, a saída dos apoiadores foi feita às 12h, após a concentração, com destino à Praça da Matriz, situada no centro da cidade. O ato incentiva uma reflexão acerca da descriminalização do uso medicinal da planta. A meta é fomentar debates acerca das políticas de drogas no país.
De acordo com o grupo organizador do evento, estudos cada vez mais destacam as vantagens da Cannabis sativa. Os defensores da planta relatam que ela pode ser útil no tratamento de vícios como Mal de Alzheimer, depressão, insônia, álcool, epilepsia refratária, parkinson, dores crônicas e ansiedade. 


Reivindicações dos 

apoiadores e combate 

as drogas dos opositores

Entre os temas levantados pelos manifestantes, estava a necessidade de descriminalizar o uso pessoal de maconha, além de regulamentar a produção e distribuição para fins medicinais. Além disso, questões sobre os impactos sociais e econômicos da legalização foram levantadas. Muitos defensores argumentaram que a regulamentação do mercado da maconha poderia gerar receitas significativas para o Estado, com arrecadação de impostos e geração de empregos em setores como agricultura, farmácia e comércio. Mas para muitos, o uso pode trazer consequências graves. Em entrevista exclusiva ao Jornal Informe Vale, o terapeuta em dependência química, Ailcy Gonçalves Rosa, de 63 anos, ele é a favor da criminalização da maconha para uso recreativo “a prevenção é o melhor caminho e para recreação não dá. Porque futuramente a pessoa pode usar cocaína e o crack”. Conta Ailcy. Perguntado sobre mudanças que podem feitas para o combate a erva, o terapeuta falou um pouco sobre como o apoio das escolas pode ser fundamental. “A educação é eficaz. Você trazer os alunos em debate, quebrar esse paradigma, esse tabu que não pode ser falado. Às vezes a gente não fala e eles aprendem na prática. E eu acredito que se incentivar a ter o Dia Mundial de Combate às Drogas, e envolver as escolas, pode ser eficaz. Podemos mudar essa realidade, né? de repente criando um esporte coletivo em toda São José dos Campos, incentivando o esporte e a competição. Acho bacana”. Esclarece o terapeuta em dependência química.
Por fim, Ailcy fala que graças a criação de uma instituição nos anos 80, a maior cidade do Vale do Paraíba está em otimismo para o combate. “São José dos Campos tem uma política pública que foi feita em 1987, através do professor Hélio Augusto de Sousa, que hoje é a Fundhas. E ele viu na garotada o quê? Em risco social. O trabalho dessa instituição é muito importante, e se não fosse ela, a situação estaria pior. Eu acredito que essse trabalho é o melhor de prevenção às drogas que temos hoje”. Conclui Ailcy Gonçalves.


Debate Nacional

A Marcha da Maconha em São José dos Campos reflete um debate mais amplo que acontece em todo o Brasil. Enquanto estados como São Paulo e Rio de Janeiro veem um aumento nas discussões sobre a descriminalização da maconha, o governo federal segue dividido sobre o tema. A polarização entre grupos favoráveis à reforma das leis de drogas e aqueles que defendem uma abordagem mais rígida dificulta a construção de um consenso nacional. Em junho desse ano, após nove anos de sucessivas interrupções, por 6 votos a 3, o Supremo Tribunal Federal (STF) finalizou o julgamento que descriminalizou o porte de maconha para uso pessoal e fixou a quantia de 40 gramas para diferenciar usuários de traficantes.Com a decisão, não comete infração penal quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo até 40 gramas de maconha para consumo pessoal. A decisão foi aplicada em todo o país após a publicação da ata do julgamento.

Divisor de opiniões

A Marcha da Maconha na maior cidade do Vale do Paraíba trouxe à tona um debate que continua a dividir opiniões no Brasil. Enquanto os manifestantes defendem a descriminalização e o uso medicinal da cannabis, as autoridades locais reforçam a repressão ao tráfico e à criminalidade. Em meio ao embate, a cidade se vê no centro de uma discussão que reflete uma questão nacional complexa e longe de ser resolvida.