Milhares de brasileiros tomam a avenida Paulista em um clamor vibrante por liberdade e impeachment, desafiando o Supremo Tribunal Federal e marcando o 7 de Setembro com um grito de independência contra a censura
Em um ato que marcou o Dia da Independência do Brasil, milhares de brasileiros se reuniram na avenida Paulista, em São Paulo, para uma manifestação de grande porte organizada pela Direita e pelo movimento evangélico, demandando o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O protesto também teve como foco a defesa da liberdade de expressão e a oposição à recente decisão de Moraes que resultou na suspensão da rede social X no Brasil.
Um Mar de Verde e Amarelo
Vestidos predominantemente com as cores da bandeira nacional, os manifestantes se estenderam por pelo menos oito quarteirões da avenida Paulista. Cartazes exigindo “Fora Xandão” e bandeiras do Brasil e de Israel coloriram a paisagem urbana. O evento começou pela manhã e os discursos se estenderam até as 16h30, com uma multidão que, segundo alguns organizadores, foi ligeiramente menor que o protesto realizado em fevereiro deste ano, mas ainda assim significativa.
O ex-presidente Jair Bolsonaro, que chegou ao local pouco antes das 14h após uma breve internação no Hospital Albert Einstein por um quadro gripal, foi uma das figuras centrais do protesto. Em seu discurso, Bolsonaro defendeu a anistia para os presos de 8 de janeiro e fez um apelo veemente pelo impeachment de Moraes, chamando-o de “ditador” e afirmando que ele é mais prejudicial ao Brasil do que o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Pastores e políticos unidos contra Moraes
O pastor Silas Malafaia, uma das vozes proeminentes da manifestação, fez um discurso contundente acusando Moraes de agir como vítima, acusador e juiz ao mesmo tempo, e chamou a atenção para a suposta violação da Constituição pelo ministro. Malafaia foi aplaudido ao pedir a prisão de Moraes, em uma clara demonstração do fervor e da indignação que permeavam o evento.
Além de Bolsonaro e Malafaia, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e vários políticos da direita, incluindo deputados como Eduardo Bolsonaro e Bia Kicis, também se destacaram nos discursos. Eduardo Bolsonaro, por exemplo, usou uma camiseta com o símbolo da rede social X e defendeu a liberdade de imprensa, criticando Moraes por sua atuação contra veículos de comunicação e jornalistas.
A emergência de uma agenda conservadora
Os discursos no evento refletiram uma agenda conservadora robusta. O deputado Gustavo Gayer (PL-GO) mencionou a presença do jornalista Michael Shellenberger, que expôs documentos revelando como Moraes havia ordenado a censura de perfis conservadores no X. A atuação de Shellenberger e a resposta do empresário Elon Musk, que criou a conta “Alexandre Files” para divulgar informações sobre as ordens de censura, têm sido centrais na mobilização da direita.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) também desempenharam papéis importantes, com Zanatta prometendo obstruir os trabalhos da Câmara dos Deputados caso o impeachment não seja pautado e Ferreira atacando o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, por sua suposta resistência em levar o pedido de impeachment adiante.
Impacto internacional e repercussões
A manifestação ganhou destaque internacional, especialmente após as recentes ações de Moraes, como a suspensão do X e a imposição de multas para quem tentasse acessar a plataforma via VPN. O bloqueio do X gerou críticas internacionais e chamou a atenção de advogados conservadores nos Estados Unidos, que pediram à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para intervir no Brasil.
O Washington Post publicou um editorial criticando a decisão de Moraes como autoritária e apoiando a visão de Musk de que o bloqueio do X é uma violação da liberdade de expressão.
A manifestação de 7 de setembro não apenas ressaltou a crescente mobilização da direita e do movimento evangélico no Brasil, mas também evidenciou a tensão política e judicial que está moldando o cenário atual. Com um claro apelo por mudanças e por maior liberdade de expressão, o ato se tornou um marco na luta contra o que os organizadores consideram ser abusos de poder e violações de direitos fundamentais. A pressão para o impeachment de Moraes e a mobilização para proteger a liberdade de expressão continuam a ser temas centrais na agenda política brasileira.
São José dos Campos
O grupo “Direita São José” realizou uma manifestação na manhã do dia 7 pedindo “Liberdade”. O ato teve como alvos o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes.
O ato reuniu políticos e populares e teve sua concentração em frente ao Parque Vicentina Aranha. A caminhada seguiu pela avenida São João, rua Madre Paula e avenida 9 de julho, até voltar para a frente do Parque. Carro de som e bandeirão ilustraram o evento.