Presidente do país pela terceira vez, petista reassumiu compromisso de cuidar dos brasileiros. “Vou acabar novamente com a fome”, afirmou
Agora é oficial. Luis Inácio Lula da Silva é o presidente do Brasil pela terceira vez. O petista assume um país com uma população rachada e tem neste terceiro mandato o maior desafio de sua vida política. Ao falar no parlatório do Palácio do Planalto, o presidente recém-empossado fez um previsível discurso populista. Ele disse que reassumiu o compromisso de cuidar dos brasileiros. Após ser empossado no Congresso horas antes, Lula disse que todas a formas de desigualdade serão combatidas durante o seu terceiro mandato.
“Reassumo o compromisso de cuidar de todos, sobretudo daqueles que mais necessitam. De acabar outra vez com a fome. Temos um imenso legado, ainda vivo na memória de cada brasileiro e brasileira”, afirmou. Ao se dirigir aos apoiadores que o aguardavam na Praça dos Três Poderes, o presidente agradeceu o voto de seus eleitores, mas afirmou que vai governar para todos os brasileiros.

“Vou governar para os 215 milhões de brasileiros e brasileiras, e não apenas para quem votou em mim. Vou governar para todas e todos, olhando para o nosso luminoso futuro em comum, e não pelo retrovisor de um passado”, proferiu. O petista se emocionou ao pedir ajuda da população para combater a fome no país. Ele citou casos de pessoas que passaram a procurar ossadas em açougues para comer e considerou “inadmissível que os 5% mais ricos detenham a mesma fatia de renda que os demais 95%”.
“Há muito tempo não víamos tamanho abandono e desalento nas ruas. Mães garimpando lixo, em busca do alimento para seus filhos. Famílias inteiras dormindo ao relento, enfrentando o frio, a chuva e o medo. Fila na porta dos açougues, em busca de ossos para aliviar a fome. E, ao mesmo tempo, filas de espera para a compra de jatinhos particulares”, indagou. O presidente também destacou que seu governo vai combater o racismo. “Ninguém terá mais ou menos amparo do Estado, ninguém será obrigado a enfrentar mais obstáculos pela cor de sua pele. Foi para combater a desigualdade e suas sequelas que nós vencemos a eleição. Esta será a grande marca do nosso governo”, acrescentou.
Lula falou também sobre economia. O presidente disse que seus governos nunca foram irresponsáveis com dinheiro público. O presidente destacou que o Brasil foi reconhecido internacionalmente pelo combate à fome, mas com “total responsabilidade das finanças”. “Nunca houve nem haverá gastança alguma. Sempre investimos, e voltaremos a investir, em nosso bem mais precioso: o povo brasileiro”, concluiu. Antes do discurso no Parlatório, Lula subiu a rampa do Palácio do Planalto e recebeu a faixa presidencial de cidadãos que representaram o povo brasileiro.
A cerimônia de posse teve as presenças de 18 chefes de Estado estrangeiros, segundo informações do Ministério das Relações Exteriores. Com a presença especulada no evento, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de fato não compareceu à cerimônia. A Venezuela esteve representada pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodrigues. Estiveram em Brasília chefes de Estado de Portugal, Argentina, Timor Leste, Cabo Verde, Alemanha, Espanha, Guiné-Bissau, Colômbia, Uruguai, Equador, Angola, Bolívia, Chile, Paraguai, Guiana, Suriname, Honduras e México. Também prestigiaram a posse cinco vice-presidentes, como os de China e Cuba, e quatro chefes de governo, como o primeiro-ministro do Marrocos. Houve ainda representantes de outros níveis hierárquicos. Os Estados Unidos e a União Europeia, por exemplo, tiveram enviados especiais de nível ministerial – no caso americano foi a Secretária do Interior, Deb Haaland.
Faixa presidencial
Luiz Inácio Lula da Silva subiu a rampa do Palácio do Planalto e recebeu a faixa presidencial de cidadãos que representam a “diversidade do povo brasileiro”. Entre eles estava o cacique Raoni Metuktire, de 90 anos, líder do povo Kayapó, o menino Francisco Carlos do Nascimento e Silva, o professor Murilo de Quadros Jesus, a vigília Jucimara Fausto dos Santos, o influenciador da inclusão Ivan Vitor Dantas Pereira, o metalúrgico Weslley Viesba Rodrigues Rocha e a catadora Aline Sousa.
A primeira-dama Janja Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e sua esposa, Lu Alckmin, acompanharam Lula e o grupo na entrada do palácio. A cadela vira-lata Resistência também subiu a rampa. Ela morava no acampamento de militantes do Partidos dos Trabalhadores em frente à Polícia Federal, em Curitiba, e foi adotada por Janja quando o presidente estava preso na cidade, em 2018.
Lula voltou a discursar no Parlatório da sede do Executivo federal. Ao se dirigir aos apoiadores que o aguardavam na Praça dos Três Poderes, o presidente iniciou o discurso agradecendo os eleitores que combateram a “violência política” durante a campanha eleitoral.