Historiador compartilha sua jornada de fé e visão sobre questões religiosas e temas atuais em entrevista exclusiva concedida ao Informe Vale
O renomado pastor e arqueólogo Rodrigo Silva concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal Informe Vale, após sua palestra no Conselho de Pastores e Ministros Evangélicos de São José dos Campos, realizada no Colégio Adventista da cidade. O diretor do jornal, José Antônio, conduziu a entrevista, que abordou diversos aspectos da vida e da visão de Rodrigo Silva sobre temas religiosos e sociais.
Rodrigo Silva, mineiro de Belo Horizonte, compartilhou detalhes de sua trajetória e revelou como a arqueologia bíblica se tornou uma paixão em sua vida. Ele expressou sua vocação teológica desde jovem, inspirado pelos livros de teologia do pároco de sua igreja católica. Após se tornar adventista, frequentar o seminário, ser pastor por dois anos e obter mestrado e doutorado, ele escolheu a arqueologia bíblica como seu campo de estudo, onde viu a possibilidade de unir a academia à fé.
Um dos tópicos abordados foi a habilidade de Rodrigo Silva em harmonizar com diferentes denominações religiosas, apesar de sua origem adventista. Ele enfatizou que isso não foi planejado, mas resultado de sua pregação sincera da palavra, destacando que o ódio em relação aos adventistas não o impediu de pregar em igrejas de diferentes tamanhos, todas as quais o acolheram calorosamente.
Sobre como abordar os céticos e pessoas que não acreditam em religiões, Rodrigo Silva destacou que as dúvidas sempre existiram ao longo da história e que o ceticismo é reconhecido pela ciência moderna. Ele ressaltou que a fé cristã oferece respostas para os anseios humanos e que sua fé hoje é racional, não racionalista.
Quando questionado sobre o atual momento político e o posicionamento de algumas igrejas, Rodrigo Silva expressou seu apoio à separação entre igreja e estado, citando a importância de orientar os fiéis em seus deveres cívicos, mas sem se tornar partidária.
Em relação à homoafetividade, um tema sensível, ele enfatizou a necessidade de repensar abordagens e inclusão, sem perder a identidade cristã, e citou a frase de Silas Malafaia: “A igreja tem que aceitar todos, mas ela não pode aceitar tudo.” Rodrigo Silva também comentou sobre a influência da cultura popular, como filmes da Barbie, e como eles podem transmitir mensagens que desafiam os valores cristãos.
Para os leitores interessados em seus livros, Rodrigo Silva destacou que eles podem ser obtidos por meio de suas redes sociais, onde estão disponíveis links para adquirir suas obras, abrangendo temas como arqueologia, filosofia e a Bíblia Sagrada. Ele também convidou a todos para a inauguração do Museu de Arqueologia Bíblica na Unasp (Centro Universitário Adventista de São Paulo), que oferecerá uma perspectiva única da Bíblia por meio de peças arqueológicas originais.
A entrevista com Rodrigo Silva proporcionou uma visão esclarecedora sobre sua vida, sua fé e suas opiniões sobre temas relevantes, cativando a atenção dos leitores do Informe Vale e oferecendo reflexões profundas sobre a relação entre religião, sociedade e cultura. Confira abaixo os principais trechos da entrevista exclusiva.
Informe Vale – Nos fale sobre sua origem.
Rodrigo Silva – Nasci em BH, desde cedo adquiri vocação muito interessante para a teologia. Eu era católico, e o pároco tinha muitos livros de teologia. Queria ser algo parecido, mas não queria ser padre. Me tornei adventista, fui para o seminário, fui pastor de igreja por dois anos, fiz mestrado e depois fiz doutorado. Escolhi Arqueologia Bíblica. Lá redescobri uma paixão tremenda e vi que era possível fazer um casamento acadêmico entre teologia e arqueologia bíblica.
Informe Vale – Mesmo com o berço adventista, qual o segredo para harmonizar tão bem com todas as denominações?
Rodrigo Silva – Não foi um negócio que eu planejei, não existe um método. Foi um sopro do espírito de Deus. Prego a palavra com sinceridade. Há muito ódio com os adventistas. Já preguei em muitas igrejas. De todos os tamanhos. Nenhuma delas me fechou as portas, graças a Deus.
Informe Vale – Como pregar para os céticos? Como atingir pessoas que não acreditam nas religiões e nem no cristianismo?
Rodrigo Silva – As dúvidas sempre existiram ao longo da história. A descrença e o ceticismo são reconhecidos pela ciência moderna. Será que é tudo ilusão? Mas eu existo! Minha mente existe. Com a Bíblia Sagrada e a fé cristã o método é o mesmo. O cristianismo é a melhor resposta para os anseios humanos. Minha fé hoje é racional, não racionalista. Não vamos confundir.
Informe Vale – Como você avalia o atua momento político e o posicionamento de algumas igrejas?
Rodrigo Silva – Sou favorável à separação da igreja do estado. Historicamente esta relação não foi saudável, tanto para os católicos como para os protestantes. Já houve muitas mortes em nome de Deus. Por isso prefiro a linha de Roger Williams, que é a separação da igreja e do estado. Temos que fazer uma compreensão contextual para não tomar uma aplicação inadequada da bíblia para nossos tempos. É dever dos líderes religiosos orientar os irmãos quanto aos seus deveres cívicos. O Novo Testamento manda isso. Mas, sem extrapolar limites. A igreja não pode ser partidarista. Sou contra campanha dentro das igrejas, por exemplo. Sou contra palanques políticos. Até brigas temos visto. É muito complicado. Cabe aos líderes orientar os irmãos e não determinar os irmãos.
Informe Vale – Homoafetividade. Há muitos ataques recentes de líderes evangélicos. A igreja brasileira está preparada para receber os homoafetivos?
Rodrigo Silva – Para responder sua pergunta nós devemos repensar nossos métodos de abordagens e inclusão, sem perder a identidade cristã que nos norteia. É um desafio. Silas Malafaia disse. “A igreja tem que aceitar todos, mas ela não pode aceitar tudo”. As pesquisas que abordam a violência contra os homossexuais no Brasil são muito evasivas, sem fundamentação teórica e nem acadêmica, sem a devida opinião dos especialistas no assunto.
Informe Vale – Qual mensagem você acha que Hollywood quer transmitir com o filme de Barbie, por exemplo?
Rodrigo Silva – Se engana quem pensas que o filme foi feito para as meninas. Barbie foi feito para as mães! Uma das coisas que o filme quer mostrar para as mães é que a Barbie traz uma nostalgia, que uma boneca é mais divertida que um filho, você pode guardar no guarda-roupa. Já a bebê de carne e osso, não. Vemos um mundo hoje cheio de pessoas se digladiando entre sim, querendo destruir os valores do Evangelho, do Cristianismo e da fé.
Informe Vale – Como o leitor do Informe Vale deve fazer para ter acesso aos seus livros?
Rodrigo Silva – Todos os meus livros podem ser obtidos em minhas redes sócias. Lá, contam links para adquirir as obras. Há livros sobre arqueologia, sobre filosofia, sobre a bíblia sagrada. Há também o curso “A bíblia comentada com Rodrigo Silva”. São mais de 36 mil alunos que toda semana estudam a bíblia comigo. O conteúdo não deixa a desejar quando comparado a um curso universitário de teologia. No dia 12 de novembro vamos inaugurar o Museu de Arqueologia Bíblica na Unasp (Centro Universitário Adventista de São Paulo), com quase 3 mil peças arqueológicas originais. Vai ser um passeio contextual a partir do ponto de vista da bíblia. Convido todos a prestigiarem.