Para se dar bem no espetáculo da vida é preciso controlar o próprio cérebro. “Para ser líder de si mesmo deve-se excluir o medo de errar, refazer caminhos e aprender a gerenciar nossos pensamentos e emoções”, afirma o psiquiatra e escritor, Augusto Cury
Um dos principais inimigos da agitada vida moderna é a ansiedade. É ela que muitas vezes causa insônia, crises nervosas e descontrole emocional. Ter equilíbrio sobre este sentimento representa um grande passo em prol da qualidade de vida.
Segundo o psiquiatra, psicoterapeuta, cientista e escritor – com livros publicados em quarenta países – Augusto Cury, a principal ferramenta humana no combate à ansiedade é aprender a tornar-se líder de si mesmo. “Este é o maior desafio do ser humano no século XXI. Com os problemas do cotidiano e o declínio na qualidade de vida – principalmente nas grandes cidades -, muitas pessoas não conseguem exercer o autocontrole, elemento fundamental para uma trajetória saudável e harmônica”, explica. Conforme Cury a mente humana funciona como um teatro e o indivíduo deve treiná-la para ser líder no espetáculo da vida. “Atualmente onde se encontra a maioria dos jovens e adultos? No palco dirigindo a peça ou na plateia sendo espectador passivo dos seus conflitos, perdas e culpas? Deve-se saber onde você se encontra e pretende chegar. Com objetivos claros e definidos a ansiedade e nervosismo passam a ser dominados pela mente humana”, destaca.
Para o conceituado especialista ser o ator principal no placo da vida não significa refazer caminhos ou reconhecer erros e sim ter as ferramentas necessárias para gerenciar e administrar pensamentos e emoções. “A vida é feita de desafios. É normal sentir ansiedade, desde que em uma dose que não exerça conflitos internos. Tendo domínio sobre o próprio cérebro a pessoa consegue se tornar o autor de sua própria história e fazer da sua vida um grande espetáculo”, relata. E complementa.
“O grande líder é aquele que administra seus sentimentos – sejam eles otimistas ou pessimistas -, reconhece sua pequenez, extrai força da sua humildade e experiência da fragilidade. O lugar do ser humano não é na platéia e sim no palco, brilhando na inteligência, alegrando-se nas vitórias, conscientizando-se nas frustrações e treinando diariamente a cada dia para ser o autor da sua própria e única história”.
De acordo com ensinamentos do escritor todo ator ou atriz deseja o papel principal. A grande questão, no entanto, é saber se “estamos preparados para nos tornarmos atores principais do teatro que é nossas mentes”.
Ele frisa que o ser humano é treinado para dirigir um carro, uma empresa e exercer uma profissão, mas que não é “habilitado” a governar os próprios pensamentos ou as ferramentas necessárias para administrar emoções e por conseqüência a ansiedade – pelo menos se o cérebro não for estimulado para isso.
“Somos preparados para sermos apenas platéia e não líderes do nosso complexo mundo psíquico. Os pensamentos nos dominam, as emoções nos controlam. A ciência e a educação nos preparam para explorar o mundo externo, mas não para se aventurar com consciência no território do nosso ser”, ensina.
A internet também tem sua contribuição neste processo que envolve o domínio dos próprios sentimentos e amarguras. “Muitos falam com o mundo via internet, mas o estranho é que nunca falam profundamente consigo mesmos. Há o domínio tecnológico para ir ao espaço, mas não para conquistas o espaço que nos pertence, que é onde nasce a ansiedade, timidez, coragem, o medo o mau humor, sonhos e encanto pela vida. Muitos jovens e adultos são prisioneiros em sociedades livres. É mais cômodo ficar como espectador, mas é preciso ser a figura principal da própria história. A última fronteira da ciência consiste em descobrir quem somos. Também é necessário aprender que aqueles que discriminam os outros os diminui, mas quem supervaloriza os outros diminui a si mesmo”, aborda.
Então saia da plateia. Entre no palco e seja líder de si mesmo!