Anônimos da resistência pós-eleição!

Inconformados com o resultado do segundo turno do pleito presidencial, milhares de pessoas estão há mais de um mês acampados em frente a centros militares pedindo eleições limpas e auditáveis; ministros do STF também são alvo dos manifestantes

Bastou o resultado das urnas eletrônicas apontarem uma vitória apertada do candidato da oposição, conforme o que era indicado pela maioria dos institutos de pesquisa, para que uma gigantesca manifestação brotasse por todo o país. Estradas importantes foram tomadas por milhares de caminhoneiros e cidadãos.

Praticamente ao mesmo tempo uma multidão começou a se formar, e a acampar, em frente aos principais quartéis e centros militares do país. Situada às margens da Via Dutra, principal rodovia brasileira, e sede do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), São José dos Campos teve e segue tendo papel de destaque nas manifestações. Na segunda-feira (31) após o segundo turno (30) diversos pontos de protestos e aglomerações prejudicaram a mobilidade na Dutra. 

De Guarulhos a Canas, a população deixou clara sua indignação com o resultado das eleições. Sem se adentrar nos termos “intervenções militar e federal”, a grande maioria dos manifestantes querem uma eleição limpa e auditável, além do impeachment do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ministro do STF (Superior Tribunal Federal), Alexandre de Moraes. Os protestantes também não aceitam que o candidato dado como vencedor pelo TSE reassuma o cargo máximo do executivo nacional pelo terceiro mandato. 

“É inadmissível um ex-presidiário voltar à cena do crime. Ele foi inocentado e eleito pelo STF. Já existem inúmeros indícios de fraudes nas eleições e nada está sendo feito. Hoje somos proibidos de falar nas redes sociais e nos expressar, ferindo artigos básicos da Constituição Federal. E ainda falam que nós somos os golpistas”, afirma uma jornalista, frequentadora da manifestação do DCTA, que prefere não se identificar. 

Vale ressaltar que mesmo durante o auge dos protestos, registrado nos dias 31 de outubro e 1 de novembro, assim como no feriado da Proclamação da República, o direito de ir e vir não foi afetado. Motoristas que desejassem passar pelos pontos de boqueio, inclusive caminhoneiros, poderiam seguir livremente, sem qualquer tipo de ameaça ou coação. A própria Polícia Rodoviária Federal não precisou usar a força na região da RM Vale. O diálogo entre manifestantes e autoridades foi uma das principais marcas dos atos. 

A situação incomodou a muitos e a PRF recebeu ordem para agir, assim como a Polícia Militar do Estado de São Paulo. Mas, com exceção da região de Barueri, na rodovia  Castelo Branco, a força não foi necessária. Em São José dos Campos, a aglomeração na Via Dutra, na altura da avenida Francisco José Longo, não registrou nenhum tipo de ocorrência. Policias Militares, assim como agentes da PRF, apenas observavam a movimentação. 

Dentre muitas suposições e fake news, todos aguardavam com ansiedade o discurso do presidente derrotado. As primeiras palavras do presidente foram em agradecimento aos 58 milhões de eleitores pelos votos recebidos. Ele também falou sobre as manifestações que tomaram conta das rodovias do país, indicando que são fruto “da indignação e da injustiça” pelo resultado nas urnas. “As manifestações pacíficas sempre serão bem-vindas, mas nossos métodos não podem ser os da esquerda”, disse ele. 

Neste momento o clima segue pacífico no DCTA. Muitos idosos e crianças participam do protesto. Em alguns  momentos os presentes cantam o Hino Nacional e oram pelo bem do país e da população. Os cidadãos pedem transparência, liberdade, o direito de clamar, protestar, opinar, investigar e desconfiar. Ou seja, o movimento é democrático, já que se trata de uma corrente independente, extremamente popular e sem liderança, organizada pelo próprio povo.