Manifestantes ocupam a Avenida Paulista no 7 de Setembro em ato marcado por clima eleitoral

Mobilização reuniu apoiadores da direita, críticas a Lula e Alexandre de Moraes, defesa de Jair Bolsonaro e discursos de lideranças políticas e religiosas

A Avenida Paulista voltou a ser palco de manifestação política no feriado de 7 de Setembro, em São Paulo. O ato reuniu apoiadores da direita e do bolsonarismo em uma mobilização que teve como principais pautas críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e manifestações de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Convocado em torno da campanha do senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, o evento teve tom de comício e contou com a presença de lideranças políticas, parlamentares e representantes religiosos. Segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap, em parceria com a ONG More in Common, o ato reuniu cerca de 28,5 mil pessoas no horário de pico, às 16h32, com margem de erro de 12%.

A mobilização ocupou parte da Avenida Paulista, especialmente nas proximidades do Masp, reunindo manifestantes vestidos de verde e amarelo, bandeiras do Brasil, cartazes e faixas com mensagens de oposição ao governo federal e ao STF. O evento foi batizado de “Flávio Bolsonaro: Fora Lula, Fora Moraes”, sinalizando o tom político da manifestação.

Flávio Bolsonaro chegou ao local durante a tarde e discursou para apoiadores. O ato também contou com a presença de nomes como Tarcísio de Freitas, Nikolas Ferreira, Silas Malafaia, Valdemar Costa Neto e Sergio Moro, além de candidatos e parlamentares da direita. A Folha registrou ainda a presença dos candidatos ao Senado em São Paulo Guilherme Derrite e André do Prado.

Um dos principais temas da manifestação foi a defesa de Jair Bolsonaro. Apoiadores levaram cartazes e entoaram palavras de ordem pedindo anistia ao ex-presidente e criticando decisões judiciais contra lideranças bolsonaristas. O discurso de perseguição política voltou a aparecer como eixo de mobilização da direita, especialmente diante das decisões do Supremo Tribunal Federal envolvendo Bolsonaro e aliados.

Outro ponto de destaque foi a crítica ao ministro Alexandre de Moraes. Manifestantes pediram o afastamento do magistrado e defenderam maior reação do Senado contra integrantes do STF. Ao mesmo tempo, houve manifestações de apoio ao ministro André Mendonça, indicado por Bolsonaro ao Supremo, que foi citado em discursos e homenagens durante o ato.

A presença de lideranças religiosas reforçou a conexão do movimento com o eleitorado evangélico e conservador. Discursos em defesa da liberdade religiosa, da família e dos valores cristãos dividiram espaço com falas políticas contra o governo Lula e contra o que os organizadores classificam como abusos do Judiciário.

Apesar do simbolismo da data e da força da Paulista como espaço de mobilização nacional, o público foi menor do que em atos bolsonaristas recentes. Segundo levantamento citado pela Folha, a estimativa de 28 mil pessoas ficou abaixo dos 42,2 mil participantes registrados em 2025 e dos 45,4 mil em 2024, conforme metodologia baseada em imagens de drones e inteligência artificial.

Ainda assim, para aliados de Flávio Bolsonaro, a manifestação serviu como demonstração de presença política em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. O ato marcou uma tentativa de mostrar capacidade de mobilização da direita nas ruas, em um momento em que a disputa presidencial de 2026 se apresenta altamente polarizada.

A manifestação também evidenciou a transformação do 7 de Setembro em data estratégica para movimentos políticos. Antes associado principalmente às comemorações cívicas da Independência, o feriado passou, nos últimos anos, a ser usado por diferentes grupos como palco para disputas simbólicas sobre democracia, soberania, instituições e rumos do país.

Na manhã do mesmo dia, houve registro de confronto nos arredores da Avenida Paulista. A Polícia Militar utilizou bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral para dispersar um grupo de manifestantes na rua Carlos Comenale, antes do início do ato principal. Segundo relatos policiais citados pelo UOL, o grupo tentava acessar a avenida, que estava bloqueada para a manifestação da tarde.

O episódio reforçou o clima de tensão política em torno da data. Embora a situação tenha sido controlada ainda no início da tarde, a ação mostrou como a Paulista se tornou um espaço de disputa entre grupos ideológicos, especialmente em anos eleitorais.

No cenário nacional, o ato ocorreu em meio à disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula pela Presidência. Pesquisa Quaest citada pela Reuters apontou empate entre os dois em um eventual segundo turno, com 41% para cada, indicando uma corrida apertada e fortemente polarizada.

A manifestação do 7 de Setembro na Avenida Paulista, portanto, foi mais do que um protesto. Foi também um termômetro político. Mostrou a capacidade de mobilização da direita, reforçou a centralidade de São Paulo na eleição presidencial e confirmou que temas como STF, anistia, bolsonarismo, liberdade e oposição a Lula estarão no centro da campanha.

Entre bandeiras, discursos e palavras de ordem, os manifestantes ocuparam a Paulista com uma mensagem clara: manter viva a força das ruas como instrumento de pressão política. Resta saber se essa mobilização será suficiente para se transformar em votos, ampliar alianças e influenciar os rumos da eleição de 2026.