Com duas vagas em jogo, Guilherme Derrite, Marina Silva, Simone Tebet e André do Prado aparecem entre os principais candidatos, enquanto Ricardo Salles, Geraldo Rufino e outros nomes tentam ganhar espaço na reta final
A eleição para o Senado Federal em São Paulo promete ser uma das disputas mais abertas de 2026. Neste ano, cada eleitor poderá votar em dois candidatos, já que serão renovadas duas das três cadeiras paulistas na Casa. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.
Os levantamentos mais recentes mostram um cenário fragmentado, sem um candidato isolado na liderança. Pesquisa Quaest divulgada em agosto colocou Guilherme Derrite (PP) e Marina Silva (Rede) com 12% das intenções de voto, seguidos por Simone Tebet (PSB), com 11%, e André do Prado (PL), com 7%. Considerando a margem de erro, os principais nomes aparecem tecnicamente próximos.
A Real Time Big Data apresentou uma configuração semelhante, embora com percentuais mais elevados. Derrite apareceu com 18%, Simone Tebet com 17%, André do Prado com 15% e Marina Silva com 14%. As diferenças reforçam que a disputa permanece aberta e pode mudar significativamente nas próximas semanas.
Entre os candidatos ligados ao governador Tarcísio de Freitas, Guilherme Derrite entra na corrida com forte identificação com a segurança pública. Deputado federal e ex-secretário estadual da área, ele deve utilizar sua experiência no setor e a proximidade com Tarcísio como principais elementos de campanha. Derrite também busca diálogo com o eleitorado conservador e apareceu na propaganda ao lado do candidato presidencial Flávio Bolsonaro.
Na mesma coligação está André do Prado, deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo. Seu perfil é diferente: enquanto Derrite possui maior exposição em pautas de segurança, André aposta na experiência de articulação política, na relação com prefeitos e vereadores e na força construída principalmente entre municípios do interior e da Região Metropolitana. Na propaganda eleitoral, ele tem sido apresentado como um dos principais aliados políticos de Tarcísio.
Do outro lado, Marina Silva chega à eleição com uma trajetória conhecida nacionalmente. Ex-senadora, ex-ministra do Meio Ambiente e atualmente deputada federal, Marina concorre pela Rede dentro da coligação que apoia Fernando Haddad ao Governo de São Paulo. Sua campanha procura destacar meio ambiente, desenvolvimento sustentável e sua experiência política nacional.
Simone Tebet, hoje candidata pelo PSB, também aparece entre os nomes mais competitivos. Ex-senadora por Mato Grosso do Sul e figura nacional desde a eleição presidencial de 2022, ela busca agora representar São Paulo. Sua campanha tem destacado temas relacionados às mulheres, segurança e experiência administrativa, além de sua ligação com a aliança que apoia Haddad e o presidente Lula.
Outro nome de destaque é Ricardo Salles (Novo). Ex-ministro do Meio Ambiente e atual deputado federal, ele disputa uma das vagas com discurso voltado ao eleitorado de direita e liberal-conservador. Embora apareça abaixo do primeiro grupo nas pesquisas mais recentes, possui reconhecimento nacional e forte presença nas redes sociais, fatores que podem influenciar a campanha.
Também participa da disputa o empresário Geraldo Rufino (Podemos), conhecido por sua trajetória no empreendedorismo e por palestras voltadas a negócios e superação. Ele tenta oferecer uma alternativa com perfil menos ligado à política tradicional. Soninha Francine (Cidadania) completa o grupo de nomes com maior reconhecimento público, embora também apareça com percentuais menores nos levantamentos atuais.
Ao todo, São Paulo possui 15 candidaturas registradas ao Senado, segundo levantamento baseado nos dados do Tribunal Superior Eleitoral. Além dos nomes mais conhecidos, disputam também representantes de partidos como PSTU, PCO, UP, Missão, PCB e Agir.
Um dos principais fatores de incerteza é justamente o comportamento do eleitor. Na pesquisa Quaest, a soma de indecisos e daqueles que indicaram voto branco ou nulo chegou a níveis elevados, mostrando que uma parcela significativa dos paulistas ainda não definiu seus dois votos para senador.
A dinâmica desta eleição também é diferente da disputa por governador ou presidente. Como o eleitor pode escolher dois candidatos, nomes de campos políticos distintos podem receber votos da mesma pessoa. Isso aumenta a possibilidade de combinações inesperadas e torna mais difícil projetar o resultado apenas a partir das alianças partidárias.
As duas vagas em jogo também elevam o peso político da eleição. O Senado participa da aprovação de ministros do Supremo Tribunal Federal, autoridades de órgãos importantes e decisões legislativas de grande impacto nacional. Cada senador eleito permanecerá no cargo por oito anos.
Com pouco mais de um mês até a votação, a corrida paulista segue sem definição. Derrite, Marina, Simone e André do Prado formam hoje o grupo mais competitivo, enquanto Salles, Rufino e outros candidatos ainda tentam avançar.
Em uma eleição com duas escolhas por eleitor e alto número de indecisos, a reta final poderá ser decisiva. Mais do que uma disputa entre partidos, São Paulo escolherá dois nomes que terão influência direta sobre os rumos do Congresso Nacional até 2035.









