Governador busca um segundo mandato destacando obras, investimentos e resultados da gestão, enquanto Fernando Haddad tenta reduzir a distância com críticas à segurança, privatizações e políticas públicas
A disputa pelo Governo de São Paulo entra na reta decisiva com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em posição de vantagem, mas diante de uma campanha que tende a ganhar intensidade nas próximas semanas. Candidato à reeleição, Tarcísio aposta no desempenho de sua administração, na força de sua coligação e na associação com o campo conservador para conquistar mais quatro anos no Palácio dos Bandeirantes.
Pesquisa Quaest divulgada em 25 de agosto mostra o governador com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 27% de Fernando Haddad (PT). Em uma eventual disputa de segundo turno entre os dois, Tarcísio aparece com 47%, enquanto o petista registra 30%. O levantamento ouviu 1.800 eleitores e possui margem de erro de dois pontos percentuais.
Outros levantamentos recentes também colocam o atual governador na liderança. A Real Time Big Data chegou a apontar um cenário no qual Tarcísio poderia vencer já no primeiro turno, enquanto pesquisa Gerp igualmente registrou vantagem do candidato do Republicanos.
Eleito em 2022 após derrotar Haddad no segundo turno, Tarcísio chega à eleição de 2026 em uma posição diferente. Há quatro anos, apresentava-se principalmente como um nome novo para São Paulo, com experiência como ministro da Infraestrutura. Agora, precisa defender um governo inteiro e convencer o eleitor de que os resultados obtidos justificam a continuidade.
A estratégia ficou clara no início da propaganda eleitoral. Com o maior tempo de televisão entre os candidatos ao governo, a campanha começou destacando a formação de engenheiro de Tarcísio, obras realizadas durante sua administração e ações do Estado em situações como as fortes chuvas que atingiram o Litoral Norte em 2023. Sua coligação dispõe de cerca de 6 minutos e 20 segundos por bloco na TV, contra 2 minutos e 39 segundos de Haddad.
Infraestrutura permanece como uma das principais vitrines do governador. Tarcísio construiu sua carreira política associando sua imagem à capacidade de executar projetos e pretende levar essa identidade para a campanha. Obras, concessões, investimentos privados e expansão dos sistemas de transporte deverão aparecer com frequência em sua comunicação.
O desenvolvimento econômico também ocupa espaço importante. Em evento de campanha com empresários e comerciantes da capital, Tarcísio afirmou que o centro de São Paulo vem atraindo novamente empresas instaladas em outras regiões e defendeu medidas capazes de estimular investimentos e a recuperação econômica de áreas urbanas.
A campanha, entretanto, também terá de responder às críticas da oposição.
Fernando Haddad iniciou o horário eleitoral concentrando ataques à administração estadual, especialmente em temas como segurança pública, educação, contas públicas, concessões e privatizações. A venda do controle da Sabesp deve continuar sendo utilizada pela oposição como um dos principais pontos de confronto entre os dois projetos.
Outro debate importante envolve a segurança. A gestão Tarcísio adotou uma linha de maior protagonismo policial e ampliação das operações, postura apoiada por parte expressiva do eleitorado conservador, mas também alvo de críticas relacionadas à atuação da Polícia Militar e ao uso das câmeras corporais. Dados recentes mostram aumento das investigações internas sobre uso inadequado desses equipamentos, assunto que deverá aparecer durante a campanha.
No campo político, Tarcísio mantém forte ligação com o bolsonarismo. Em entrevista recente, declarou possuir uma linha bastante próxima das ideias do movimento e afirmou ter um perfil pragmático. Sua campanha também prevê a participação de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, na propaganda eleitoral.
A estratégia busca preservar a base conservadora que foi fundamental para sua vitória em 2022, ao mesmo tempo em que tenta dialogar com setores mais amplos do eleitorado paulista. Esse equilíbrio será importante especialmente na Região Metropolitana, onde Haddad possui maior capacidade de mobilização.
Do outro lado, o candidato petista procura nacionalizar parte da disputa ao se aproximar de Lula e contar com a participação do presidente em sua campanha. A presença do vice-presidente Geraldo Alckmin também é considerada estratégica para tentar recuperar antigos eleitores do PSDB e ampliar o espaço de Haddad no interior.
Apesar da vantagem atual, a campanha de Tarcísio evita tratar a eleição como definida. O número de indecisos e o eleitorado que ainda pode mudar de voto mantêm espaço para alterações ao longo de setembro. Na Quaest, 13% ainda se declaravam indecisos no cenário estimulado e outros 14% indicavam voto branco, nulo ou intenção de não comparecer.
A reeleição também possui significado político nacional. Uma nova vitória em São Paulo consolidaria Tarcísio como uma das principais lideranças da direita brasileira e fortaleceria seu nome para futuras disputas nacionais.
Por enquanto, porém, o foco está no Palácio dos Bandeirantes.
Com vantagem nas pesquisas, maior tempo de televisão e uma estrutura partidária robusta, Tarcísio entra nas últimas semanas de campanha como favorito. Haddad, por sua vez, aposta na polarização e no desgaste de pontos específicos da atual gestão para tentar mudar o cenário.
A eleição paulista de 2026 começa, assim, a ganhar contornos mais definidos: de um lado, um governador defendendo continuidade e resultados; do outro, uma oposição tentando convencer o eleitor de que São Paulo precisa mudar de direção. A vantagem é de Tarcísio, mas a decisão final continuará nas mãos de um eleitorado de mais de 30 milhões de paulistas.









